Tuesday, October 10, 2006

a uma amiga que me pediu para quebrar em vírgulas

- O que queres, Amanda? Heim?
- Não sei ainda.
(silêncio). Ela ainda:
- o que você repara quando me vê?
- Não sei.
Não, ele não sabia.
Só que no fundo do peito,
Em carocinho miúdo; no centro de tudo do mundo
Brilhou uma luz:
Pequena, mais clara,
Envolta de pasta.
Ele não iria fala! Ou iria?
Falar para ela da gosminha? Daquele cubinho de gelo amarelo
Do fundo do peito?
Mas o que era mesmo que ele via? Nela?
- Heim? O que você vê?
Andou para os lados, cabeça baixa.
- Você não vê
Que também não entende! é
Também seu próprio clichê!
Desejosa de si mesma, amanda.
Desejosa de cada gota de si mesma.

Amanda, não sei bem. Digo, sentiu azul marinho, o que funcionou em seu peito, na pressão contrária
Contrária do inchaço
de receber
idéias alheias.
Ta! (martelo na mesa). Desculpa.
Como resolver aquilo? Ela precisava de
Uma justificativa plausível.
Sofria, porque no fundo de si mesma,
a pequena bolinha sabia de tudo.
“A minoria sempre esmagada”, pensou.

Perdurou, aquilo.
Lasted, se estendeu
sobre as fibras de cada fatia
da estrada esférica
de seu peito.
E do peito dele também.

Uma hora acabou,
claro.
Morreu, enfim, morreu!, disseram ambos.

Em algum momento tudo acaba,
E a sensação dessa despedida em particular,
Digo, da despedida de uma história...
Dói e envergonha.

Epílogo:

Morreu, enfim, morreu!

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