Saturday, November 22, 2008

Virgília 25

causais.
casuais.
julho transcorria como um mês de dezembro. Tanta compra, tanta compra.
Virgília está na porta do bar, fresca, ao lado de um vaso de um arbusto muito verde.
seus amigos todos bebericam cervejas, estão todos fortes, nunca na vida levaram porrada, e ao mesmo tempo desnudam-se como bebês frágeis e entregues. Morreriam como Jesus: num momento em que poucos morreriam. Mas nem sempre todos morreriam nesse momento, é claro.
Virgília está na porta do bar, mas se preocupa com a calçada de fora, com a lua, os carros, o óleo, com uma certa ausência de lugar.
O bar é redondo, com balcão no centro, garçons de cabeças baixas, e pessoas, coincidentemente amigos de Virgília, falando, falando, falando, falando.
Estão entregues, falando de deus, falando de si, falando de roupas, falando de beleza, falando, falando.
E Virgília, calada, olhando pro lado de fora da porta, apenas considera o ambiente, vislumbra nele marcas de determinados processos históricos, relaciona ao sol, relaciona ao zodíaco, relaciona aos cavaleiros do zodíaco e à mafalda; todos identificados por ela dentro de um processo histórico, como eu já disse.
Virgília vê o mundo, e espera que o Mundo seja gentil com ela.
Virgília, 25 anos, espera encontrar o sentido da vida e morar numa casa à beira da praia. sexy, suja e vaidosa.
Gilinha, para os maiores apreciadores do produto dessa vaidade dela.
simples, pura e caótica, entende?

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