Saturday, November 22, 2008

Para sempre e sempre eu quero voar. Mas na dúvida fico em casa, marota.
Para sempre e sempre, eu costumo dizer, para sempre não sei.
Para sempre e sempre crescer: forte, precisa, ácida; crescer, apenas, sei lá (para sempre e sempre).
Pois use seus globos oculares para ver os contornos, e as linhas, e as cores.
Tudo reto, sinuoso. Colorido, de pedra, de madeira, de escombros, de palavras.
Quão belas!
Mortadelas!
Palavras, quimeras.
quão belas, quão belas.

Tudo nele era reparado com minúcia por Lúcia.
E ela era tão santa que não fazia juízo de valor.

A cabeça vai falhando, os bares já vão se exaurindo de caráter, virando uma massa amorfa, daquele jeito, falhando. Já não é possível escrever, o que vem a ser isso, anyway?

Vou-me embora para passárgada, meus amigos.
Sempre fomos tão parecidos, e tão inconciliáveis.
Sempre fomos essa coisa linda.
Sempre fomos clube da luta.

Virgília 25

causais.
casuais.
julho transcorria como um mês de dezembro. Tanta compra, tanta compra.
Virgília está na porta do bar, fresca, ao lado de um vaso de um arbusto muito verde.
seus amigos todos bebericam cervejas, estão todos fortes, nunca na vida levaram porrada, e ao mesmo tempo desnudam-se como bebês frágeis e entregues. Morreriam como Jesus: num momento em que poucos morreriam. Mas nem sempre todos morreriam nesse momento, é claro.
Virgília está na porta do bar, mas se preocupa com a calçada de fora, com a lua, os carros, o óleo, com uma certa ausência de lugar.
O bar é redondo, com balcão no centro, garçons de cabeças baixas, e pessoas, coincidentemente amigos de Virgília, falando, falando, falando, falando.
Estão entregues, falando de deus, falando de si, falando de roupas, falando de beleza, falando, falando.
E Virgília, calada, olhando pro lado de fora da porta, apenas considera o ambiente, vislumbra nele marcas de determinados processos históricos, relaciona ao sol, relaciona ao zodíaco, relaciona aos cavaleiros do zodíaco e à mafalda; todos identificados por ela dentro de um processo histórico, como eu já disse.
Virgília vê o mundo, e espera que o Mundo seja gentil com ela.
Virgília, 25 anos, espera encontrar o sentido da vida e morar numa casa à beira da praia. sexy, suja e vaidosa.
Gilinha, para os maiores apreciadores do produto dessa vaidade dela.
simples, pura e caótica, entende?

Saturday, November 08, 2008

Vidinha

Cada novo instante é uma chegada do que tem atrás da curva, tendo a vida várias curvas, sendo cada curva uma vida inteira, e sendo cada vida inteira, um instante.
um espiral infindável de vidas, ímpares, e tão iguas entre si justamente por serem Vida.

ênfase na escolha: ou no puro aprisionamento de ser um só com o restante da sociedade.
Vida:
isso tudo.
Uma experiência cheia de determinações, e de formas ímpares de percepção dessas determinações...e do paradoxo de ambas, dialeticamente.
Uma existência difícil, a dessa Vida, que é tudo e é nada, que se nutre e se mata sem contudo morrer.
A vida vai vivendo, mesmo ao lado traiçoeiro da morte.
Sendo a morte também um "depois" da curva das vidas.
Mas a vida, apesar de forte, também não extingue a morte,
e as duas vão existido de mãos dadas.
Apoiadas, irmãs uma da outra, invejosas uma da outra, admiradas uma da outra, etc.

Falar sobre a vida enquanto se vive,
e nunca saber muito bem o que é a vida,
e sempre entender o significado dela
em sua multiplicidade
em sonhos premonitórios, assasinatos no parque, mergulhos com tubos de oxigênio, florestas, ocidente, desmembramentos de nossos próprios movimentos no mundo.
Vida! Como uma palma enérgica.
Uma explosão
cansada
esperando
e mascando chicletes.

É tudo isso que a gente imagina, é enorme, impossível.
A vida é impossível, já dizia Nelson.
Eu inventei o Nelson a partir do que ele inventou de si mesmo.
isso é vida.
(pausa)
O que é vida?