Friday, June 01, 2007

Veja a estaticidade daquele morro,
E a forma como as árvores nele se dispõe.
E diga o que isso te dá.

Quisera eu escrever o que me faria sentir o apocalipse
Ao derramar sua redenção gélida por sobre a forma atual das coisas.

Dizia o filósofo que na natureza
Nada se perde ou se cria:
Apenas se transforma a matéria que está.
E com ela as almas?

Contemplar a beleza quase sexual de tudo o que está parado,
Constatar a sabedoria do que é, apenas.
E com isso indagar sobre a passagem do tempo e sobre o infinito que está dentro do meu quarto.

De que serve isso?

Aquilo que enxergamos e que é inexprimível,
Existe?

A energia que nos coesiona a todos, seres vivos ou inorgânicos,
Existe?

A falta do sentir,
Existe?

E o final de um poema sem fim?

Um Poema

Jabuticabas moles
no chão repousam
E por razão de microorganismos
no chão apodrecem.

Sob o farfalhar das folhas
através dos dias elas viajam:
cada dia mais fracas,
cada dia mais podres.

Jabuticabas moles
derrubadas pelos passarinhos
negadas pelas crianças
esquecidas pelas montanhas e suas colônias de alpinistas.

Jabuticabas otimistas!
Porque mesmo fedidas de morte
e apesar de que a Força as aborte
No chão elas estão a jazer
com a mente quieta,
a espinha ereta
e o coraçao tranquilo.
Perípécias da vida!
Paredes metafísicas,
Amores inaugurados,
vasos
rosas
delícias
E um vasto e brilhante legado:
o da história todinha
e o das veredas individuais.
todos rimando
difusos
coordenados
absurdos
todos calados.
Escondidos nas entranhas do espaço vazio de um quarto,
e dispersos no tempo...