Thursday, December 21, 2006

O que terei eu de fazer?
Vicente cambaleava pelas ruas, naquele carnaval específico. com músicas a adentrarem-lhe o peito, sem saber exatamente onde estava. Niilista. falava coisas sem sentido por aí. A única coisa da qual realmente precisava era de um enredo. Um enredo para suas histórias fugazes, um enredo para dar sentido a seus dias.
Bandeira branca, amor...
Bandeira branca, amor...
andava pelo centro da cidade prestando atenção aos olhares, e seu enredo longe de aparecer. antes de estar prestes a necessitar de uma concretude factual, apareciam-lhe milhares, dezenas de histórias encadeadas, perfeitas...mas...defronte da hora precisa...até suas palavras ficavam iguais.
queria apenas resolver o mundo como a uma equação.
mas dali em diante, resolvida a equação, o que faria?
não pensava sobre isso, o vicente.
andava pela avenida rio branco, pessoas fantasiadas. mais um carnaval.
bandeira branca...bandeira branca...marchinhas bulinavam seus ouvidos...
não sabia como terminar...percebam que nem eu sei...
entendam que, como ele, eu também estou aqui. sem enredo e sem saber como terminar a minha história. porque o vicente não existe. e eu não me dei ao trabalho de pesquisar sobre sua identidade, seus costumes ou suas caracteristicas fisicas.
vicente: somente um nome sem rosto.
vicente flácido...descontínuo e igual aos outros textos que podem ser encontrados nesta página.
vicente declamando o mesmo sentimento, que já não dói mais, mas que apenas está...não mais cheio de significado, só, em estado de latência...
como o espaço entre aqueles que esperam na fila da receita federal. talvez...talvez não: certamente vazio.
ainda não há ensinamentos. ainda não há moral...ainda nada. queria apenas ter enredo. mas é difícil. mais difícil que bostejar palavras elucidativas do caos filosófico-deprimente que tem habitado meus dias.
se eu fosse funcionaria pública talvez virasse o nelson rodrigues, ou o fernando pessoa. mas não.
queria apenas um enredo; apenas uma coisa cheia de sentido..preenchida por todos os lados de gozo, de conforto, de saúde. apenas...uma dessas coisas que duram mais de um segundo...que duram mais do que o caos pode proporcionar.
o vazio real é aquele cheio de possibilidades homogeneas, ou é essa minha falta de enredo?
yeah, man...
daqui a quarenta anos, talvez...

Saturday, December 09, 2006

Para Dona Congeta

Queria ter força para que minhas idéias pudessem aber em mais de 30 segundos. Delas eu tenho um monte. e belas. tinha uma velhinha curvada e de olhar bem triste. e tinha um momento belo e bastante intenso. pasta de dentes. dentadura. ovelha.
e o abraço da vovó que se entrega com um sorriso infantil. para aquela ovelha. de uma forma tão delicada e brilhando. ao som de música funda. momento tão bonito. tudo acontecendo.
cai a folha, late o cachoro (au au au). late docemente. a saudade dói em algum lugar, em vários peitos. existe sexo, existe vida. existem lágrimas tão azuis brilhando e caindo para logo depois subirem aos céus. e deus sorri.
as bombas explodem onde não posso ouvi-las, freadas pelo ar...a distância resguarda meus ouvidos. tantas sutilezas. marionetes de madeira. alguma força estabilizadora de nós (graças a deus).balões coloridos, bala de morango. travesseiro macio, beijos de mel. apenas a inocência. cheiro de útero. calor ideal.
muito a se enumerar, eduarda! temos muito trabalho por hoje! venha me ajudar com isso aqui. o vovô entende, clara. deite do meu lado que vou lhe contar uma história. já conheceu algum pirata? pois eu já! foi há muito tempo atrás e ele bebia rum e falava alto. era exatamente como os outros piratas e isso fazia dele muito especial. o homem tinha um bom coração por detrás da face carrancuda e da barba cheia de nós. vovô queria ter um bom ensinamento para você agora, mas não me restou nada, anjinho, só essa pele enrugada e determinadas coisas que apenas eu mesmo entendo, embora não toque muito nelas ultimamente. mas você, na minha idade, também vai ter as suas coisas. que beleza de solidão, clarinha! pare de chorar.
voltar ao normal e caber em si não pode ser assim tão difícil. e nem tedioso. carinho. quanto cor-de-rosa pruma menina só! tudo passando e pelo amor de deus um calorzinho! algum diminutivo aconchegante. e choro. substantivo. apenas ondas e flutuações do dólar.
tudo não passou de um sonho, ana.
clarice, só queria te dar um forte abraço de compreensão. afinal, estamos juntas nisso. só um sorriso e uma tarde no parque. sabe aquela emoção de quando algum personagem de filme realiza um grande desejo?
sentir é um mistério.
amo, e isso já não dói mais...

Thursday, December 07, 2006

sabe, ricardo, eu não tenho exatamente o que dizer. e além do mais, hoje fez muito calor.