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É o caos. No ônibus cheio, o cansaço borbulhante preenche todo o ar. Somada a ele, a excitação esganiçada dos meninos e meninas voltando da escola após um dia inteiro de conhecimentofagia provoca espasmos de irritação nos demais passageiros. Barulho, calor, engarrafamento. E uma gracinha de menino que me olha curioso enquanto tento escrever apesar do sacolejo do veículo.
Favela da Rocinha. Mendigos e malandros involuntários querendo entrar sem pagar passagem são escorraçados pelo motorista. De quem é a culpa? Ninguém sabe. Afinal, a culpa é dela mesma. Dona do próprio nariz.
A Nativa FM tocando no rádio tem seus apelos sufocados pelo ronco dos motores. Tlac-tlac. A roleta roda. Plin-plin. De grão em grão a galinha enche o papo. Mal-humorados estamos todos: eu e os donos dos olhos murchos que contemplam (ser ver) a praia de São Conrado.
Como são pacíficas essas ondas porque nunca se cansam da inércia em que vivem! E toda a vida e beleza de seu monótono vai-vem ficam lembrando aos passageiros que não há razão para ter medo.
Seria esse um esforço vão? Talvez.
Só é certo que nós, com os olhos embotados pela fadiga e os ouvidos pouco adestrados para ouvir a voz dos oceanos, apenas deitamos a cabeça no duro encosto e dormimos um sono de mentira.
Favela da Rocinha. Mendigos e malandros involuntários querendo entrar sem pagar passagem são escorraçados pelo motorista. De quem é a culpa? Ninguém sabe. Afinal, a culpa é dela mesma. Dona do próprio nariz.
A Nativa FM tocando no rádio tem seus apelos sufocados pelo ronco dos motores. Tlac-tlac. A roleta roda. Plin-plin. De grão em grão a galinha enche o papo. Mal-humorados estamos todos: eu e os donos dos olhos murchos que contemplam (ser ver) a praia de São Conrado.
Como são pacíficas essas ondas porque nunca se cansam da inércia em que vivem! E toda a vida e beleza de seu monótono vai-vem ficam lembrando aos passageiros que não há razão para ter medo.
Seria esse um esforço vão? Talvez.
Só é certo que nós, com os olhos embotados pela fadiga e os ouvidos pouco adestrados para ouvir a voz dos oceanos, apenas deitamos a cabeça no duro encosto e dormimos um sono de mentira.
